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São Sebastião -
Ao sol, entre o casario,
A torre mourisca.

                  
Celso Pestana

Aqui no Rio de Janeiro o pessoal gosta de ir, na
primeira sexta-feira do ano, à Igreja de São Sebastião,
que, aliás, fica aqui na Tijuca, pertinho de onde moro,
para receber um banho de água-benta. Dizem os fiéis
que isso garante um ano de muita sorte. E tem gente
que prá ficar mais garantido, vai lá a toda primeira
sexta-feira de cada mês.

A igreja é administrada por frades franciscanos, daqueles
que usam uma batina com capuz, uma corda amarrada na
cintura e sandálias. Além disso, os frades tinham o
costume de deixar a barba crescida, o que em hoje em
dia não se vê com muita facilidade.

Por isso, a igreja também é conhecida, ou até mais
conhecida, como igreja dos Capuchinhos ou Barbadinhos.

Quem conhece bem a alma brasileira, sabe que muita
gente sai dali e vai pedir um reforço num centro
espírita, não dispensa o jogo de búzios, as runas
e o tarot. E não esquece de comprar o almanaque do
Osmar Cardoso com as previsões dos astros para o
ano que começa.

No dia 20 de janeiro, desde cedo, há muita movimentação
na igreja e nos arredores, tomados por ambulantes
vendendo tudo o que é oportuno: santinhos, velas,
fitinhas, flores, refrigerante, cachorro quente,
sanduíche natural, etc. Vem gente de longe.

A procissão é interessante, e "se arrasta que nem cobra
pelo chão" por muitos quilômetros, pois vai do início
da Tijuca à Glória, onde há uma estátua do mártir, e
volta, numa caminhada de mais de 5 horas.

Mas, o que eu gosto de ver são as pessoas, gente
humilde em geral, vestidas de vermelho e branco, as
cores rituais; e as mães que, certamente para pagar
promessa, levam os seus filhos pequenos trajados como
são-sebastioezinhos de calçola de cetim vermelho
presas, na frente e atrás, a uma faixa do mesmo tecido
que vai de um lado ao outro do corpo. 99,9 por
cento dos moleques são pretinhos - ou afro-brasileiri-
nhos se alguém se ofende com a palavra.

Só mais um detalhe: a igreja fica relativamente
próxima aos morros de São Carlos, Estácio e Salgueiro,
cujas cores das respectivas escolas de samba são o
vermelho e branco.

Celso Pestana/ Rio de Janeiro
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