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Qual o sentido de
buscar o haicai tradicional?
Druida
Creio que a resposta a
esta pergunta é individual. Eu também já a fiz - e faço - várias
vezes e as respostas costumam variar.
Para mim, é uma questão de aprendizado. Qualquer que seja nossa área
de interesse, ao entrarmos em uma biblioteca (ou acessarmos a internet)
uma primeira impressão é que tudo que tinha pra ser feito, já foi
feito, que tudo que tinha pra ser dito, já foi dito. Mas isso não é
verdade. Somos indivíduos e temos nossa contribuição a dar. Temos
sempre algo a oferecer.
Afinal, foi o que aqueles que estão nas estantes ou nos sites fizeram.
Porém, quando adentramos em um terreno que tem sido mensurado,
vasculhado, esquadrinhado, ao longo de séculos (ou até menos tempo),
onde as coisas já têm um nome e significado, precisamos ter mais
cuidado. Precisamos saber um
mínimo sobre o que já existe e sobre qual o espaço para nossa criação.
Acontece assim com as religiões, as filosofias, as doutrinas, as ciências
e as artes. Mesmo quando inventamos algo novo, ou propomos uma nova
ordem, estamos indo de (ao) encontro ao que já existe. É neste sentido
que sinto o haicai.
Estudar o haicai tradicional, para mim, significa reproduzir, em ponto
menor, a experiência de séculos. Não estamos imitando os
"mestres", não queremos ser mestres, não queremos escrever
como os mestres. "Procure o que eles procuraram", é o provérbio
conhecido. No entanto, exercitar as regras,
experimentar outras, buscar a disciplina, e sobretudo respeitar o
trabalho de tantos homens e mulheres que estão no caminho conosco é
fundamental.
Escrever um terceto e chamá-lo de haicai, que é o que os aprendizes
como eu fazem, é uma ousadia. É semelhante a criar uma fórmula e
dizer que é física, ou pintar um quadro e dizer que é arte moderna.
Por outro lado, não significa que "vamos todos pra casa"
desistindo. O preceito budista da "mente de principiante" cabe
bem aqui. "Se desistimos, nunca fazemos. Se achamos que já
sabemos, nunca aprendemos."
A discussão sobre o que é haicai é mundial, todos sabemos.
Americanos, ingleses, franceses, alemães estão com as mesma dúvidas,
propostas, discussões, idéias e dificuldades que estamos tendo por
aqui. Qualquer tentativa de imposição
de uma única forma está fadada ao fracasso. O que existe são escolas
e mestres-aprendizes e aprendizes-mestres.
Buscar entender o haicai tradicional, sua forma e "espírito",
portanto, é apenas um processo de acrescentar ferramentas em nossa
caixa de ferramentas.
É uma possibilidade de compartilhar as idéias e sentimentos de muitos
homens e mulheres. É experimentar um jeito diferente de encarar as
coisas.
Não somos obrigados a nada disso, mas a proposta não deixa de ser
fascinante.
Druida
druida@cpd.ufjf.br
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Druida
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