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O que é
Haicai
"A friagem de um dia frio, o calor de um dia quente, a lisura de
uma pedra, a brancura de uma gaivota, a lonjura das montanhas
distantes,a pequenez de uma florinha, a umidade de uma estação
chuvosa... Estas coisas sem qualquer pensamento ou emoção ou beleza ou
desejo é haikai."
(R.H.Blyth)
Verena Fornetti, no site www.nenpukusato.hpg.ig.com.br
afirma que "a
definição de haicai de Blyth não poderia ser mais precisa. Está
acima dos dizeres do dicionário, que não conhece poesia e só descreve
a estrutura do fazer poético.
Haicai :
s.m (Liter.) Pequeno poema japonês de três versos (dois pentassílabos
e um, o segundo, heptassílabo) - Mini Dicionário Luft, Scipione, 1991
.
Muito mais que a métrica pré-estabelecida e a ausência de título e
rimas, é a postura quase zen budista diante da natureza a essência do
haicai. O chamado kigô, elemento que
faz menção a uma das estações do ano, é uma das peças chave para a
compreensão do poema e revela toda a transitoriedade expressa por ele.
Não é à toa que é comparado a uma fotografia do momento, pintando
imagens com palavras.
No site de Roberto
Tostes, encontramos a seguinte definição:
Hai Kai, Haicai, Haiku,
várias palavras usadas para dizer a mesma coisa. Na forma clássica ele
possui três versos, dois formados por cinco sílabas e um com
sete sílabas, com um total de 17 sílabas.
Sua intenção nunca é direta, mas sutil. Usando poucas palavras, o hai
kai busca o detalhe, o zoom, o silêncio, a ponta do iceberg.
O grande mestre desta arte é Matsuo Bashô (1644-1694). Ex-samurai,
monge praticante do Zen e estudioso das escritas clássicas chinesas e
japonesas, dedicou sua vida a seu aperfeiçoamento espiritual e a
escrita. Conta-se que anteriormente a Bashô os hai kais eram poemas
populares, ingênuos, como piadas ou trocadilhos.
Observações da natureza, impessoalidade, rapidez, síntese e
transcendência deram um toque zen a esta forma de poesia.
Os praticantes desta arte buscam mais o universal que o pessoal,
deixando que as "imagens sugeridas" tenham efeito sobre nossas
mentes, solicitando a nossa reflexão e participação. São imagens que
misturam ambientes e sensações, criando "cenas vivas".
Roland Barthes disse em um de seus livros: "o fragmento (como o
hai-kai) é torin, ele implica um gozo imediato: é um fantasma do
discurso, uma abertura de desejo. Sob forma de pensamento-frase, o germe
do fragmento nos vem em qualquer lugar"
( tradução de Leyla Perrone-Moisés - ed. cultrix - "Roland
Barthes por Roland Barthes").
Vamos citar alguns exemplos de tradução de poemas de Bashô
feitas por autores brasileiros. Como o idioma japonês é feito de
ideogramas, a tradução literal torna-se impossível.
"Velha lagoa
o sapo salta
o som da água"
"Primavera não nos deixe
Pássaros choram lágrimas
no olho do peixe"
(tradução de Paulo
Leminsky - Ed. Brasiliense - Matsuo Bashô - A Lágrima do Peixe - 1983
- Coleção Encanto Radical)
"A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua."
"Em cima da neve
O corvo esta manhã
Pousou bem de leve."
(tradução de Millôr
Fernandes - Ed. L&PM Pocket - HAI-KAIS - 1997)
Bashô caminhou a pé por todo o Japão
durante anos, despojado de qualquer tipo de bem ou apego material,
divulgando a sua arte e treinando discípulos por toda a sua vida. Um de
seus escritos mais conhecidos (A HAIKU JOURNEY - Dorothy Britton -
Kodansha International) é o diário desta grande jornada.
yogabrasil@yahoo.com.br
www.yogabrasil.com.br
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